Espírito Santo - 15/03/2016
A promoção da alimentação saudável está no centro da pauta do governo federal. Após o Brasil sair, em 2014, do Mapa Mundial da Fome, publicado anualmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO), outro desafio surge: o combate à obesidade e o sobrepeso. Preocupado com este quadro, um conjunto de políticas públicas e outras iniciativas de garantia de acesso a alimentos vem sendo reforçado.
Dentre elas, o governo federal, em parceira com organizações da sociedade e o setor privado, lançou nesta terça-feira (15), Dia do Consumidor, a campanha Brasil Saudável e Sustentável, que vai promover a alimentação saudável e alertar para os riscos da má alimentação. O calendário da campanha passa pelas Olimpíadas Rio 2016 e se estende até maio de 2017, com a realização de ações que estimulem as pessoas a refletir sobre os hábitos de consumo e a optar por escolhas alimentares cada vez mais saudáveis, demonstrando as vantagens do consumo de produtos locais, frescos, vindos da agricultura familiar, da produção orgânica ou agroecológica.
Indicadores demonstram que atualmente, um terço das crianças brasileiras está com sobrepeso, 56,9% da população adulta está com excesso de peso e destes, 21,3% estão obesos (PNE, 2015). Isto tem contribuído com a expansão de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, muitas delas decorrentes da má alimentação, e que são responsáveis 72% das mortes no Brasil.
Para isto, foi escolhida como cenário a cidade do Rio de Janeiro, que neste ano é sede dos Jogos Olímpicos. “Com certeza a cidade do Rio será uma grande vitrine. Esperamos atingir o maior número de pessoas possíveis com esta mensagem que é, ao mesmo tempo, um alerta e um estímulo a práticas alimentares mais saudáveis. O Brasil, como grande produtor de alimentos saudáveis e sustentáveis, não pode ver sua população entrar no mapa da obesidade. O desafio é de todos”, afirma a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.
A campanha vai promover o acesso à informação para sensibilizar o consumidor, o mercado privado e o agricultor; disseminar informações para a população a respeito dos benefícios da alimentação saudável; e apoiar a divulgação de práticas alimentares saudáveis nas redes públicas de saúde, educação e assistência social, sempre com base nos princípios do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde.
2016: um prato cheio de atividades
De acordo com o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos, “o momento é de unir esforços em torno da promoção da alimentação saudável e combater a obesidade”. Uma série de atividades da campanha se concentrará no Rio de Janeiro. Porém, a proposta é que as ações ganhem escala e inspirem outras iniciativas pelo país.
Alertas da balança
Com 54% de adultos com excesso de peso, o Rio de Janeiro está entre as dez capitais com maior índice, de acordo com a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014), do Ministério da Saúde. Na cidade da “Garota de Ipanema”, apenas 22% das mulheres maiores de 18 anos consome a quantidade mínima diária de frutas e hortaliças, número que leva o Rio de Janeiro para o 21º lugar entre as capitais.
Outra pesquisa, realizada pelo IBGE com o apoio do Ministério da Saúde (POF 2008/2009), mostra que a situação das crianças também é preocupante. De acordo com o levantamento, mais de um terço das crianças no Brasil, com idade de 5 a 9 anos, está com excesso de peso e 14,2% estão obesas.
Esta tendência se revela em função do consumo de produtos com alto teor de açúcar e gordura que começa muito cedo no Brasil. A Pesquisa Nacional de Saúde revela que 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade comem biscoitos, bolachas e bolos e que 32,3% tomam refrigerantes ou suco artificial.
Quando tudo começou
Desde 2012, a campanha Brasil Saudável e Sustentável articula e desenvolve ações estratégicas de incentivo ao consumo de alimentos saudáveis, como aqueles produzidos pela agricultura familiar, além de orgânicos e agroecológicos. Uma das atividades foi promovida durante a Copa do Mundo 2014, com a participação de empreendimentos da agricultura familiar em quiosques montados em cidades sede da competição, para comercialização direta de produtos.
Ao todo, participaram 60 empreendimentos da agricultura familiar, de norte a sul do país, trazendo um pouco da riqueza, da diversidade e dos sabores do Brasil ao consumidor. No mesmo período, foram distribuídos kits lanches para 20 mil voluntários que trabalharam na organização dos jogos, compostos de um mix de produtos saudáveis, vindos da agricultura familiar.
Fonte: MDS
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